Uma nova análise de dados obtidos com o Very Large Telescope do ESO e outros telescópios sugere que as órbitas das estrelas em torno do buraco negro super massivo situado no centro da Via Láctea mostram os efeitos subtis previstos pela teoria da relatividade geral de Einstein.
A órbita da estrela S2 parece desviar-se ligeiramente do percurso calculado pela física clássica.
Este resultado é um prelúdio a medições muito mais precisas e testes de relatividade que serão executados pelo instrumento GRAVITY quando a estrela S2 passar muito perto do buraco negro em 2018.
A partir de novas observações obtidas com o Telescópio de Rastreio do VLT do ESO, os astrónomos descobriram três populações distintas de estrelas bebés no Enxame da Nebulosa de Orion.
Esta descoberta inesperada ajuda a compreender melhor como é que se formam este tipo de enxames, sugerindo que a formação estelar pode acontecer em surtos, onde cada um ocorre numa escala de tempo muito mais rápida do que se pensava anteriormente.
O Brasil acaba de ganhar mais um nome para sua lista de associações científicas — a Sociedade Brasileira de Astrobiologia (SBA). O anúncio foi feito nesta quarta-feira, em cerimônia realizada durante a XLI Reunião da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB). A astrobiologia, área relativamente recente da ciência que estuda a origem e evolução da vida dentro e, principalmente, fora da Terra, é um tema crescente no universo de pesquisas sobre espaço e cosmos. Segundo o presidente da nova associação, Eduardo Janot Pacheco, do Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (USP), nesse cenário, a SBA tem como objetivo reunir pesquisadores da área para facilitar o desenvolvimento de projetos conjuntos, viabilizar a troca de experiências e ajudar a conseguir bolsas e recursos para financiar pesquisas.
“Já temos pelo menos 100 pessoas ou mais trabalhando com astrobiologia no Brasil”, disse Janot a VEJA, adicionando que a fundação da SBA veio da necessidade de organizar e difundir o conhecimento que estava sendo produzido. “Além disso, todos os países desenvolvidos têm uma sociedade para pesquisa em astrobiologia. Nós estamos tirando esse atraso.” Entre os objetivos da associação, o presidente destaca que pretende criar um programa de pós-graduação em astrobiologia — que ainda não existe, apesar do crescente número de estudos na área –, mapear e catalogar iniciativas de ensino do tema em todo país e ajudar associados a conseguir o financiamento necessário para suas pesquisas.
AT eoria da Relatividade de Albert Einstein passou por outro teste. Duas estrelas próximas a um buraco negro estão acelerando conforme as previsões estimadas pelo físico alemão. “É a primeira vez que a teoria é testada perto de um buraco negro supermassivo”, afirmou Aurélien Hees, da Universidade da Califórnia, para o New Scientist.
Tal como se de sentinelas se tratassem, o telescópio de 3,6 metros do ESO e o Telescópio Auxiliar Coudé parecem encontrar-se de guarda ao centro galáctico nesta fotografia em ultra HD do Observatório de La Silla, situado na periferia sul do deserto chileno do Atacama.
A estrela Antares, também chamada de Alpha Scorpii, está em baixo ao centro, rodeada por uma nuvem cósmica poeirenta. Antares encontra-se a cerca de 500 anos-luz de distância da Terra.
À direita de Antares está o Aglomerado Globular M4, que se encontra a cerca de 7000 anos-luz de distância da Terra.
Na parte superior da imagem vemos a luz azulada do complexo de nuvens de Rho Ophiuchi.
Na parte esquerda da imagem, praticamente na ponta, ao centro, vê-se a pequena coma e a curta cauda do esverdeado cometa 71P/Clark. Apesar de estar na mesma linha de visão, a partir da Terra, o cometa encontra-se mais próximo de nós que qualquer das estrelas que vemos. Ele está a somente 5 minutos-luz da Terra.
As estrelas maiores são estrelas próximas de nós, na parte superior temos o Aglomerado Estelar Aberto NGC 6939, que se encontra a 5 mil anos-luz de distância, na parte de baixo está a galáxia espiral NGC 6946, que se encontra a cerca de 22 milhões de anos-luz de distância de nós.
As linhas vermelhas em cima da galáxia indicam a supernova SN 2017eaw, nos últimos 100 anos foram vistas mais de 10 supernovas nessa galáxia, a média da nossa galáxia é de 1 a cada 100 anos, por esse motivo a NGC 6946 é chama de Galáxia Fogos de Artifício.
Esta imagem mostra a estrela EZ Canis Majoris circundada pela nebulosa Sh2-308.
EZ Canis Majoris é uma estrela Wolf-Rayet, são um tipo de estrela muito massiva e brilhante, uma dos tipos mais brilhantes do universo, dezenas de vezes mais brilhantes e massivas que o Sol.
Os intensos ventos gerados por essas estrelas criam bolhas de gás que circulam a estrela.
A estrela é responsável por criar a Nebulosa Sh2-308, a estrela soltou as suas camadas exteriores e produziu os gases vistos nesta imagem, a contínua radiação aumenta a bolha cada vez mais, atualmente, a nuvem de gás em volta da estrela tem 60 anos-luz de diâmetro.
Mesmo tendo muita beleza, esse gás todo envolto da estrela é temporário, uma vez que as estrelas que a produziram explodirem em supernovas acabam por deformar-las.
A Galáxia da Agulha ou NGC 4565, é uma galáxia relativamente parecida com a nossa, mas o fato de estar de "perfil" para nossa galáxia acaba por visualizarmos um formato fino, por isso é apelidada de Galáxia da Agulha, está localizada a 40 milhões de anos-luz de nós.
Em Horseshoe Bend, no rio Colorado, perto do Grand Canyon, EUA, foi feita essa fotografia, nela podemos ver o conjunto de Barnards, com a Nebulosa de Orion e Cabeça de Cavalo no centro, M41 a esquerda e a estrela Sirius logo acima, a luz zodiacal no centro, um fenomeno extremamente raro de conseguir se captar, apenas em locais sem nenhuma poluição luminosa, a direita temos a Nebulosa do Coração e a da Alma.
Está é a bela galáxia espiral M101, também chamada de Galáxia do Cata-Vento.
Como é típico nas galáxias espirais, no seu centro encontram-se estrelas amarelas, mais frias e antigas, enquanto nos seus braços espirais encontram-se jovens estrelas, quentes e azuis. Nos braços espirais também se observam traços escuros de poeira e regiões de formação estelar (em cor-de-rosa).
M101 é quase duas vezes maior que a nossa Via Láctea, e encontra-se a cerca de 25 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação da Ursa Maior.
Fonte: AstroPT
No seu novo trabalho fotográfico, o grupo iTelescope-Portugal apontou o telescópio T32 do Observatório de Siding Spring, na Austrália, para a Nebulosa de Carina (NGC 3372), um local de sentimentos contraditórios, localizado relativamente perto de nós a ~7.500 anos-luz, mas infelizmente visível em boas condições somente a partir do Hemisfério Sul.
O seu enorme tamanho e beleza hipnotizante popularizaram esta nebulosa tornando-a num objeto fascinante; todavia, antes de nos deixarmos envolver pela emoção, convém ter presente que estamos perante um local violentíssimo, constituído por gás, poeira e aglomerados estelares, onde estrelas massivas (tipo O e Wolf-Rayet) nascem, evoluem rapidamente esculpindo a paisagem através da ação dos seus poderosos ventos e radiação UV, e terminam a sua vida em explosões de supernova.
Esta imensa nebulosa, com idade estimada em ~3 milhões de anos (determinada pelos principais aglomerados estelares), contém pelo menos 12 estrelas brilhantes que se estima possuírem 50 a 100 vezes a massa do Sol. A mais notável é Eta (η) Carinae, não só pela estimativa que aponta para um tamanho semelhante ao da órbita terrestre, mas também por se encontrar em fase final de vida, exibindo já dois lobos de gás e acentuadas variações de luminosidade, que indiciam estar na eminência de colapsar na forma de supernova titânica.
Um das explicações para as alterações da sua magnitude, que vão de 4 em 1843, para 5 em 1990 e 8 em 2002, reside na possibilidade de se tratar de um sistema binário de estrelas supergigantes azuis, muito próximas uma da outra, envolto numa densa nuvem de gás e poeira. A luminosidade combinada deste sistema é 5 milhões de vezes a do nosso Sol.
Considerando que Eta Carinae irá colapsar num futuro não muito distante, esta será a supernova mais espetacular que alguma vez o ser humano observou, o que nos remete para a derradeira questão: estando aqui tão perto, poderá afetar a Terra? Talvez sim, mas para já sem motivos de preocupações. Talvez a atmosfera superior seja destruída, bem como a camada de ozono e alguns satélites em órbitas mais elevadas.
A imagem mostra uma região central da nebulosa onde podemos encontrar os seguintes objetos:
A estrela Eta Carinae, com idade inferior a 3 milhões de anos.
A Nebulosa do Buraco da Fechadura, uma nuvem molecular escura, contendo poeira e filamentos brilhantes provocados por gás quente;
HD 93205 e 93204, um sistema binário constituído por duas grandes estrelas da sequência principal, com cerca de 50 e 20 massas solares.
WR 25, um sistema binário composto por uma estrela Wolf-Rayet (WR) e uma companheira do tipo O;
HD 93250, uma estrela binária, não se sabendo ao certo se as componentes pertencem à sequência principal ou se já evoluíram para gigantes;
Trumpler 14, um aglomerado aberto com mais de 2.000 estrelas, diâmetro de 6 anos-luz e idade de 1 a 6 milhões de anos;
Trumpler 15, um aglomerado aberto e idade de 1 a 6 milhões de anos;
Trumpler 16, um enorme aglomerado aberto onde podem ser encontradas algumas das estrelas mais brilhantes conhecidas, tais como Eta Carinae e WR 25, estendendo-se até às proximidades de Trumpler 14 e com idade determinada superior a 3 milhões de anos;
WR 22, é um sistema binário composto por uma Wolf-Rayet; e
A Montanha Mística, um pilar formado por caminhos de gás e poeira que se erguem por mais de 3 anos-luz. Na parte interior, estrelas jovens e quentes formam colunas pequenas de gás com os seus ventos fortes e radiação abrasadora, moldando e comprimindo o pilar, tornando possível o nascimento de novas estrelas no seu interior.
Aquisição de dados efetuada pelo grupo iTelescope – Portugal (Ha: 9×600” Bin 2×2, Lum: 10×600” Bin 1×1, RGB 6×300 cada Bin 2×2), utilizando equipamento remoto (telescópio: Takahashi FSQ 106ED, camara: FLI Microline 16803, montagem: Paramount ME); processamentos: Ruben Barbosa.
O grupo iTelescope – Portugal é constituído por mais de uma dezena de astrônomos amadores e tem como objetivo aprofundar as competências adquiridas, a partilha de conhecimentos, promover a cultura científica através da astronomia e contribuir para uma melhor compreensão dos fenômenos astronômicos.
Os astrônomos buscam por fontes de raio-x no Universo a mais de sessenta anos, e ela pode ser vista em estrelas, nuvens de gás, eventos destrutivos... e tudo ficou um pouco mais fácil após a implantação de telescópios espaciais dedicados a observações como essa, como é o exemplo do Observatório Chandra.
Desde seu lançamento, em 23 de julho de 1999, Chandra tem sido o instrumento principal da NASA no quesito raios-X. Mas no dia 30 de março de 2017, Chandra conseguiu chamar ainda mais a atenção dos astrônomos.
Usando seu conjunto de instrumentos avançados, o observatório capturou um brilho misterioso vindo do espaço profundo. Esse brilho viria a ser a fonte de raio-X mais distante já observada, e além disso, algo inteiramente novo.
Localizada na região do céu conhecida como Chandra Deep Field-South (CDF-S), esta fonte de emissão de raios-X parece ter vindo de uma pequena galáxia localizada a cerca de 10,7 bilhões de anos-luz da Terra. Ela também tinha algumas propriedades notáveis, como o fato de produzir (em questão de segundos) mais energia do que todas as estrelas de uma galáxia.
Em 2014, uma equipe de pesquisadores da Universidade Penn State, da PUC chilena, já havia detectado a tal fonte, porém, não através de raios-X. Mas ainda assim, ela chamou a atenção da equipe, pois durante uma erupção tornou-se cerca de 1.000 vezes mais brilhante em questão de horas. A partir daí, os pesquisadores começaram a coletar dados usando o espectrômetro avançado do Observatório Chandra.
Após ter sido detectada durante um brilho intenso, a fonte de raios-X ficou fraca e desapareceu, mas os astrônomos tiveram tempo suficiente para registrar informações com os telescópios espaciais Hubble e Spitzer. Agora, milhares de dados serão analisados para que se possa determinar a localização exata, mas já é possível perceber que trata-se da fonte de raios-X mais distante já detectada até agora! Por outro lado, não se sabe o que teria causado imenso brilho e emissão de energia.
A misteriosa fonte de raios-X poderia ser o resultado de algum tipo de evento destrutivo, ou algo que os cientistas nunca viram antes. E o mais estranho é que tais explosões de raios-X normalmente são seguidas por explosões de raios-gama, o que parece estar faltando nesse caso.
Até o momento, foram sugeridas três possíveis explicações para a estranha origem desse fenômeno: na primeira, a fonte de raios-X (chamada CDF-S) é de fato o resultado de uma estrela em colapso ou em fusão, mas os jatos de raios-gama resultantes não estão apontados para a Terra; na segunda hipótese, o mesmo cenário é responsável pela fonte de raios-X, mas a explosão de raios-gama está além da pequena galáxia; e a terceira explicação possível seria de que o evento teria sido causado por um buraco negro de tamanho médio durante a destruição de uma estrela anã branca.
Durante os 17 anos de funcionamento do Observatório Espacial Chandra, os astrônomos nunca haviam visto algo parecido. Uma fonte de raios-X como essa jamais foi observada por qualquer outro observatório, em nenhum lugar do Universo. Além disso, esse fenômeno ocorreu de forma mais rápida e numa galáxia menor do que outros eventos inexplicáveis observados anteriormente.
No fim das contas, a explicação mais plausível (porém não 100% confiável) é de que o evento foi provavelmente o resultado de algo cataclísmico, como uma estrela de nêutrons ou uma anã branca sendo despedaçada. Mas o fato dos dados não baterem com essa ou com qualquer outra explicação, faz parecer que os astrônomos testemunharam um tipo totalmente novo de evento cataclísmico.
Tanto o Chandra quanto outros observatório que operam no raio-X, como o XMM-Newton da ESA e o Swift Gamma-Ray Burst da NASA, farão novas buscas para encontrar outros exemplos de eventos parecidos. Nos resta torcer para que o improvável aconteça novamente...
FADO é uma nova ferramenta de análise, desenvolvida pelos astrofísicos do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) Jean Michel Gomes e Polychronis Papaderos, que usa a luz emitida quer pelas estrelas, quer pelo gás ionizado de uma galáxia, para reconstruir a sua história de formação através do uso de algoritmos genéticos. Esta ferramenta foi apresentada num artigo recente, aceite para publicação na revista científica Astronomy & Astrophysics.
“Fado” vem do latim Fatum, que significa destino, e é uma homenagem ao estilo de música, considerada património imaterial da humanidade. Cada galáxia tem um “fado” – uma narrativa da sua biografia, desde o nascimento das primeiras estrelas. Este destino está escrito no seu espectro eletromagnético, que contém os registos fósseis das múltiplas gerações de estrelas que se formaram, ao longo de milhares de milhões de anos, bem como do gás que essas estrelas ionizam com a sua radiação.
Decifrar a história da formação estelar duma galáxia através do seu espectro é uma das mais difíceis tarefas em astronomia. Uma das características inovadoras do FADO é o uso de algoritmos genéticos, que simulam a evolução de uma galáxia como se a de um organismo vivo se tratasse. Estes algoritmos “fazem criação” de múltiplos indivíduos, cada um deles a representar uma possível linha genética para a galáxia, definida por uma série de parâmetros (semelhantes a um código genético, como o ADN). Estes indivíduos evoluem através da troca de “cromossomas”, mutações e efeitos de seleção, até que se obtenha uma população que reproduz a emissão observada das estrelas e gás na galáxia.
Jean Michel Gomes (IA & Universidade do Porto) comenta que: “FADO é o primeiro código de síntese espectral que usa um algoritmo genético de evolução diferencial, em combinação com algoritmos de inteligência artificial. Isto resulta em melhorias computacionais fundamentais para a eficiência e exatidão na reconstrução da história de formação estelar”.
Os modelos anteriores tinham grandes incertezas, em parte porque só tinham em conta a contribuição da luz emitida pelas estrelas. No entanto, a contribuição do gás ionizado pode somar até 50% de toda a luz da galáxia.
Para o investigador FCT Polychronis Papaderos (IA & Universidade do Porto): “O FADO é o primeiro código do seu género que modela simultaneamente as emissões estelar e do gás ionizado em galáxias. Também integra características físicas que asseguram que a história de formação estelar calculada para a galáxia reproduz consistentemente a emissão observada do gás ionizado. Este conceito auto consistente, até agora único, em conjunto com a inovadora base matemática do FADO, irá permitir obter um profundo conhecimento acerca da história de formação das galáxias.”
O conceito físico e matemático inovador do FADO traduz-se num enorme ganho em eficiência computacional, possibilitando a exploração da história de formação estelar de milhões de galáxias numa tarefa acessível.
O FADO será também uma ferramenta essencial de análise para usar com a nova geração de instrumentos, como o MOONS, que será instalado no VLT (ESO). “O MOONS está a ser construído com cocoordenação do IA, e conta com uma substancial contribuição científica e técnica da equipa portuguesa. O FADO irá aumentar enormemente a nossa capacidade de explorar as observações de ponta que o MOONS irá realizar a partir de 2019”, diz o coordenador do IA José Afonso (IA & Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa).
O desenvolvimento do projeto “An exploration of the assembly history of galaxies with the novel concept of self-consistent spectral synthesis (FADO)” teve apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através dos financiamentos FCOMP-01-0124-FEDER-029170 & PTDC/FIS-AST/3214/2012.
A relação simbiótica entre os buracos negros supermassivos e as suas galáxias hospedeiras é uma das grandes questões da astrofísica moderna.
Para tentar avançar um pouco mais no conhecimento e no entendimento sobre essa relação, pesquisadores usaram o NuSTAR e o XMM-Newton para observar galáxias em fusão.
Quando as galáxias estão em processo de fusão, os buracos negros supermassivos dessas galáxias se aproximam. Uma grande quantidade de poeira e gás nas proximidades dos buracos negros é empurrada para dentro do buraco negro, que começa a se alimentar de forma voraz criando o que os astrônomos chamam de núcleo ativo de galáxias (AGN).
Nos estágios finais de fusão das galáxias, é tanta matéria caindo em direção ao buraco negro, que o AGN acaba ficando encoberto, envolto por um escudo.
O efeito combinado da gravidade das duas galáxias diminui a velocidade de rotação do gás e poeira que estaria orbitando livremente. Essa perda de energia faz com que o material caia na direção do buraco negro.
Quanto mais tempo durar a fusão entre as galáxias, mais encoberto ficará o AGN. Galáxias que estão há muito tempo se fundindo acabam completamente cobertas por um casulo de poeira e gás.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores observaram 52 galáxias, sendo que metade estão passando pelas últimas fases do processo de fusão.
Com isso, os pesquisadores confirmaram o que já se desconfiava: os buracos negros supermassivos se alimentam mais, enquanto estão escondidos, nos estágios finais da fusão.
Isso tem uma implicação grande no entendimento da relação entre os buracos negros e suas galáxias, pois eles crescem rapidamente quando as galáxias estão se fundindo.
Como no início do universo, a fusão das galáxias era algo muito mais comum do que é hoje, pode ser que esse processo faça com que os buracos negros supermassivos fiquem realmente massivos no centro das galáxias.
Esta é a M1, também conhecida como Nebulosa do Caranguejo, que se encontra a cerca de 6.500 anos-luz de distância da Terra, na direção da constelação do Touro.
É um remanescente de supernova. A luz de supernova foi observada da Terra no ano 1054. Após a morte explosiva da estrela maciça, a nuvem de detritos foi expandido até à configuração que vemos na imagem.
A imagem mostra a nebulosa em vários comprimentos de onda: raios-X (Chandra), ultravioleta (XMM-Newton), visível (Hubble), infravermelho (Spitzer), e rádio (Very Large Array). Respetivamente em cores roxa, azul, verde, amarela e vermelha.
No centro da imagem está o resultado do colapso do núcleo da estrela original: o Pulsar do Caranguejo, uma estrela de neutrões que roda 30 vezes por segundo.
Messier 12 (NGC 6218) é um aglomerado globular de estrelas na constelação de Ofiúco e foi descoberto pelo francês Charles Messier em 30 de maio de 1764.
O sistema está a cerca de 16.000 anos-luz da Terra e têm um diâmetro aproximado de 75 anos-luz; a sua magnitude aparente é 6,7 e não pode ser visto a olho nu. Medições efetuadas indicam que está em aproximação radial da Terra a uma velocidade de 16 km/s.
Por ser pouco denso em relação a outros aglomerados, durante algum tempo foi classificado como sendo do tipo aberto.
Uma vez que os aglomerados globulares viajam em órbitas elípticas excêntricas e atravessam regiões densas do disco galáctico, as estrelas de menor massa podem ficar sujeitas a outras forças gravitacionais que as obrigam a abandonar o aglomerado. No caso concreto, estima-se que M12 já perdeu 80% das suas estrelas, isto é: mais de 1.000.000 de estrelas (de baixa massa) terão sido ejetadas para o halo da nossa galáxia.
Contudo, as estimativas indicam que se mantenha por mais 4,5 mil milhões de anos, resultando numa existência ~25% mais curta que os aglomerados mais densos.
O Telescópio Espacial Hubble, no seu programa Frontier Fields, conseguiu observar o ténue Aglomerado de Galáxias Abell 370, que contém centenas de galáxias e se encontra a 6 mil milhões (bilhões, no Brasil) de anos-luz de distância da Terra.
Na imagem, percebem-se alguns arcos. Eles não são estruturas do aglomerado. São sim imagens distorcidas de uma galáxia espiral duas vezes mais longe que o aglomerado e que se encontra por trás do aglomerado da nossa perspetiva. Esta distante galáxia “escondida atrás” é visível devido ao fenómeno da lente gravitacional: a enorme gravidade do Abell 370 curva, distorce e amplia a luz de galáxias “por trás de si” (da nossa linha de visão).
Ou seja, aglomerados maciços de galáxias atuam como gigantes telescópios naturais.
O estudo de aglomerados maciços de galáxias permite aos astrónomos medir a distribuição de matéria normal e escura nesses aglomerados.
Ao analisarem as propriedades da lente gravitacional de Abell 370, a equipa de astrónomos determinou que este aglomerado contém dois grandes e distintos grupos de matéria negra, providenciando mais uma evidência de que este aglomerado é o resultado da fusão de dois aglomerados mais pequenos.
Nota adicional: a estrela “com picos” no canto inferior direito da imagem é uma estrela da nossa Via Láctea, ou seja, está muito próxima de nós e não pertence a este aglomerado de galáxias.
A Pequena Nuvem de Magalhães é uma galáxia proeminente que pode ser vista a olho nu no céu austral.
No entanto, os telescópios que operam no visível não conseguem obter uma visão clara desta galáxia, devido às nuvens de poeira interestelar que a obscurecem.
As capacidades infravermelhas do VISTA permitiram aos astrónomos observar a miríade de estrelas nesta nossa galáxia vizinha com muito mais nitidez do que o conseguido até à data.
O resultado é esta imagem recorde — a maior imagem infravermelha alguma vez obtida da Pequena Nuvem de Magalhães — repleta de milhões de estrelas.
A Pequena Nuvem de Magalhães é uma galáxia anã, a gémea mais pequena da Grande Nuvem de Magalhães. Tratam-se de duas das nossas galáxias vizinhas mais próximas — a Pequena Nuvem de Magalhães situa-se a cerca de 200 000 anos-luz de distância, apenas 1/12 da distância a que se encontra de nós a mais famosa Galáxia de Andromeda. No entanto, ambas as galáxias anãs apresentam formas peculiares, resultado de interações uma com a outra e com a própria Via Láctea.
A sua relativa proximidade à Terra faz com que as Nuvens de Magalhães sejam candidatas ideais para estudar a formação e evolução estelar. No entanto, apesar de se saber que a distribuição e história de formação estelar nestas galáxias anãs é complexa, um dos maiores obstáculos para se obter observações claras da formação estelar é a poeira interestelar. Nuvens enormes destes grãos minúsculos dispersam e absorvem parte da radiação emitida pelas estrelas — especialmente no visível — limitando assim o que pode ser observado pelos telescópios à superfície da Terra. É a chamada extinção interestelar.
A Pequena Nuvem de Magalhães está repleta de poeira e por isso a radiação visível emitida pelas suas estrelas sofre uma extinção significativa. Felizmente, nem toda a radiação electromagnética é afetada da mesma maneira pela poeira. A radiação infravermelha passa através da poeira interestelar muito mais facilmente que a visível, por isso ao observarmos no infravermelho podemos aprender como é que as novas estrelas se formam no seio das nuvens de gás e poeira.
O telescópio VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope) foi concebido para observar a radiação infravermelha. O Rastreio VISTA das Nuvens de Magalhães (VMC, sigla do inglês para VISTA Survey of the Magellanic Clouds) foca-se no mapeamento da história de formação estelar da Pequena e Grande Nuvens de Magalhães, mapeando também as suas estruturas tridimensionais. Foram obtidas imagens infravermelhas de milhões de estrelas da Pequena Nuvem de Magalhães graças a este rastreio, o que nos fornece uma visão sem precedentes desta galáxia quase sem os efeitos da extinção interestelar.
Toda a imagem se encontra repleta de estrelas que pertencem à Pequena Nuvem de Magalhães e inclui também galáxias de fundo e vários enxames de estrelas brilhantes, como o 47 Tucanae que se encontra à direita na imagem e se situa muito mais perto da Terra do que a Pequena Nuvem de Magalhães. Um zoom da imagem mostra-nos esta galáxia como nunca a observamos antes!
A grande quantidade de nova informação contida nesta imagem de 1,6 gigapixels (43 223 x 38 236 pixels) foi analisada por uma equipa internacional liderada por Stefano Rubele da Universidade de Pádua, na Itália. A equipa utilizou modelos estelares de vanguarda para obter alguns resultados surpreendentes.
O rastreio mostrou que a maioria das estrelas na Pequena Nuvem de Magalhães se formaram muito mais recentemente do que as das suas galáxias vizinhas maiores. Este resultado preliminar do rastreio é apenas o aperitivo de novas descobertas que certamente surgirão, já que o rastreio continua a preencher “buracos vazios” nos nossos mapas das Nuvens de Magalhães.